Programa da Prefeitura de São Paulo combina planejamento e execução para ampliar produção de moradias e enfrentar o déficit habitacional com diferentes soluções
__________________________________________________________________________________________________________
Ascom - 15/05/2026

Revista Habitação – Associação Brasileira de Cohabs e Agentes Públicos de Habitação (ABC)
O acesso à moradia digna segue como um dos principais desafios das grandes cidades brasileiras. Em São Paulo, essa realidade se impõe com ainda mais intensidade, marcada pelo alto custo de terrenos em áreas urbanizadas, pela pressão demográfica e por uma oferta historicamente insuficiente de habitação adequada.

Mais do que a falta de moradias, o problema envolve também a qualificação dos imóveis. Muitas famílias ainda vivem em condições precárias, em regiões com pouca infraestrutura ou em situações informais, um cenário que exige respostas mais amplas do poder público.
É nesse contexto que surgiu o Pode Entrar, principal programa habitacional da cidade e hoje o maior da história do município. Instituído pela Lei Municipal nº 17.638/2021, o programa representa uma mudança relevante na forma como São Paulo enfrenta o déficit habitacional. Em vez de um modelo único, passou a atuar com diferentes instrumentos, ampliando escala e capacidade de atendimento.
Esse avanço está diretamente ligado a um modelo de gestão integrado. A política habitacional da cidade passou a operar de forma coordenada entre a Secretaria Municipal de Habitação (SEHAB), responsável pelo planejamento e pelas diretrizes, e a COHAB-SP, que executa os projetos, viabiliza empreendimentos e gerência contratos. Na prática, é essa engrenagem que transformou planejamento em entrega.
“São Paulo estruturou uma política habitacional que funciona como um sistema integrado. Isso nos permite planejar melhor, executar com mais eficiência e ampliar o alcance das soluções, garantindo que elas chegarem a quem mais precisa”, afirma o secretário municipal de Habitação, Diogo Soares.
Os resultados já começam a aparecer. Desde 2021, foram entregues mais de 17 mil unidades habitacionais, sendo 9,4 mil apenas entre 2025 e 2026. Atualmente, mais de 40 mil moradias estão em obras em diferentes regiões da cidade, consolidando um ciclo contínuo de produção.

As soluções atendem perfis distintos de famílias. De um lado, estão aquelas vinculadas à demanda da SEHAB, como moradores removidos de áreas de risco e beneficiários de auxílio-aluguel. De outro, famílias cadastradas na COHAB-SP, que acessam financiamento com condições subsidiadas. O público prioritário é formado por famílias com renda de até seis salários mínimos, com foco especial nas que recebem até três salários mínimos, que contam com financiamento de longo prazo e comprometimento de renda reduzido.
Mais do que ampliar o volume de entregas, o Pode Entrar diversificou as formas de acesso à moradia. O programa atua desde a produção de novas unidades até a requalificação de residenciais públicos, passando pela aquisição de unidades prontas ou na planta, financiamento com subsídio, locação social e melhorias habitacionais.
Essa diversidade permite que a política habitacional alcance diferentes realidades urbanas e responda com mais precisão às necessidades da população.

Para dar conta dessa complexidade, o programa opera em múltiplas frentes. A produção habitacional envolve tanto empresas quanto entidades da sociedade civil, que participam desde a mobilização das famílias até o desenvolvimento dos projetos. As Parcerias Público-Privadas ampliam a escala ao atrair investimento privado e dividir responsabilidades. Já a aquisição de imóveis no mercado reduz o tempo de atendimento e possibilita inserir famílias em áreas já estruturadas da cidade.
Outro destaque é a Carta de Crédito, que dá mais autonomia ao beneficiário na escolha do imóvel, além das ações voltadas à melhoria de moradias de conjuntos habitacionais, reconhecendo que parte do desafio está na qualidade das unidades entregues pela Prefeitura.

“Os diferentes modelos de produção e melhorias, somados à integração entre planejamento e execução, são o que garantem a alta escala do programa. Conseguimos acelerar entregas, ampliar o atendimento e dar mais segurança para as famílias”, afirma o diretor-presidente da COHAB-SP, Cacá Vianna.
O volume de investimento acompanha a dimensão do programa. Desde 2022, cerca de R$ 5 bilhões já foram destinados à política habitacional municipal, com crescimento expressivo ao longo dos últimos anos. Os recursos vêm de diferentes fontes, como o Tesouro Municipal, fundos públicos e estruturas de Parcerias Público-Privadas, o que garante sustentabilidade financeira e continuidade das ações.
Mais do que números, o impacto está na forma como a política habitacional passou a ser conduzida. Ao integrar produção, financiamento, regularização e requalificação, São Paulo consolida um modelo que combina escala, diversidade e planejamento de longo prazo.

Em uma cidade do tamanho de São Paulo, não há solução única para o desafio da moradia. O que faz a diferença é a capacidade de coordenação. E é justamente esse modelo integrado que tem permitido transformar política pública em resultado concreto, ampliando o acesso à moradia digna e reduzindo, de forma consistente, o déficit habitacional da capital.